esse texto foi escrito pelo pastor Julio Sanches eu gosto muito das pergaçoes dele, recebi esse texto por e-mail de uma amiga minha, muito bom ele, espero que mamae vc goste XD
Dez horas da manhã. Último dia do ano. O açougueiro, recém casado, desossa a carne que será vendida no decorrer do dia. Perito, sabe separar a carne nas suas ligaduras, sem prejudicar o corte. A natureza lhe ensinou que é possível aproveitar o máximo, quando o trabalho é feito com perícia e dedicação. Fim de ano é sinônimo de festas. Mesa farta. Bons assados. Mais comilões e mais dinheiro no caixa.
Os assaltantes chegam. No caixa a jovem esposa, se atrapalha em atender a ordem dos meliantes. A caixa não abre. A possibilidade de ver sua amada agredida leva o açougueiro à reação. Somos orientados, com detalhes, a não reagir. A cooperar com os sem lei. A atender suas ordens. A agir com calma, mesmo sob tensão. É fácil recomendar calma, quando se está sentado atrás de u’a mesa num escritório climatizado. Difícil é manter a calma quando a agressão gratuita nos atinge ou atinge pessoa querida. Num ímpeto o jovem usa a faca, instrumento de trabalho, contra o agressor que intimida a sua jovem esposa com uma arma apontada em sua direção. A reação gera ferimentos no meliante, mas não o suficiente para imobilizá-lo. O comparsa dispara a arma contra o pobre marido. O meliante ferido é levado por seus comparsas ao hospital mais próximo. O açougueiro, não consegue chegar vivo ao pronto socorro. Último dia do ano. Último dia de vida. Fim de um sonho. De um lar. De uma família constituída. Não conseguiu ver os espocar dos fogos saudando o novo ano. Apenas as lágrimas se fazem presente, substituíndo a festa. A tragédia impulsionada pela violência não seleciona suas vítimas. Não escolhe os sonhos a serem interrompidos. Não pergunta pelo culpado.
Como não fomos criados para a dor, buscamos uma explicação. A resposta mais fácil, sincera nos corações doridos resume-se numa frase: “Foi a vontade de Deus”. Há sinceridade na afirmação. Mas não é verdadeiro o conceito em termos absolutos, que a envolve. Ao afirmar que foi a vontade Deus, persiste a crença, não a fé convicção, que Deus é Onipotente. Como tal pode todas as coisas. Exerce domínio absoluto sobre tudo o que ocorre no universo. Portanto, pode impedir que algo aconteça. Tal crença nem sempre é suficiente para levar a pessoa a submeter-se integralmente ao agir Divino. Deus tudo pode, mas faço do meu jeito sem a intervenção Divina.
A Onipotência divina não nos garante que Deus agirá para impedir a ação do dedo de alguém, sem o temor de Deus, ao puxar o gatilho de uma arma. Tampouco que Deus em sua Onipotência atuará nas leis da física, criadas por Ele, para desviar a bala do seu percurso. Poderá fazê-lo, caso queira, mas não temos garantia que o fará. Independente do alvo. Seja ele salvo ou não. A Onipotência divina tem limites estabelecidos pela própria Onipotência. A liberdade do ser humano em agir e sofrer as conseqüências dos seus atos é respeitada pela Onipotência divina. Difícil aceitar tal verdade. Mas é assim que Deus age e se propôs atuar ao relacionar-se com sua criação.
A frase “é a vontade Deus” é usada para justificar a maldade do pecado. A deturpação do soberano querer de Deus para o homem. Nem tudo que ocorre ao nosso redor tem a chancela da vontade de Deus.
Alguns líderes da Igreja se mancomunam em interromper o ministério de alguém, que não mais lhes agrada com suas mensagens de três pontos. Tecem a teia maligna da discórdia. Apanham mais alguns incautos com seu veneno e conseguem o seu intento. Boa parte da Igreja sofre. Alguns abandonam o rebanho. Outros se desestruturam. Famílias são separadas. Mágoas são geradas. O infeliz ministro é lançado na rua da amargura, com a desculpa que se aposentou. A família passa por crises profundas. A miséria bate-lhe à porta e o fantasma da fome o assombra. Só e desanimado tenta encontrar uma resposta para o agir daqueles que pareciam ser amigos e salvos. Esta lhe chega pela informação da reunião dos líderes que o expulsaram. Um deles usando a Bíblia, livro de Crônicas, justifica todo o caos gerado como sendo a “vontade de Deus”. Claro está que Deus não participa de conluios. Não compactua com mentiras e traições. Na balança de Deus não há dois pesos diferentes. Jamais usa tais processos para gerir sua Igreja. A vontade de Deus é perfeita e agradável, Rm 12:2, não gera sofrimento. Não separa amigos. Não esvazia a Igreja de Cristo. Não denigre o Evangelho. Não atua com pessoas sarcásticas e cruéis.
A vaidade em ser tido como líder, leva o indivíduo a desmandos e ações não condizentes com os padrões da normalidade. Junto com outros desavisados levam a Igreja de Cristo à falência. Não satisfeitos com a derrocada da grei do Senhor, abandona-a e carregam seus documentos como garantia de que seus atos são corretos e serão aprovados pelos vindouros. Sentados nos escombros da maldade aparece a velha frase: “Foi a vontade de Deus”. Claro que não. Deus abomina os que fazem de sua Igreja trampolim ou pretexto para ações escusas. Ferir a Igreja significa ferir a Cristo. Desmoralizá-la perante a sociedade é blasfemar do nome de Cristo. Tais pecados, caso não ocorra arrependimento, serão punidos com a condenação eterna. As portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja de Cristo.
A errônea interpretação do que seja a vontade de Deus tudo justifica. Afinal Deus é o responsável por todas as mazelas humanas, pensam os que não querem admitir responsabilidades.
A vontade de Deus não gera sofrimentos. Não separa famílias e salvos. Não organiza Igrejas por processo abortivo ou fórceps. A vontade de Deus não gera inimigos. Não afasta o pecador da ação amorosa de Cristo. Não coloca empecilho à propagação do evangelho. A vontade de Deus não mata inocente. Não estimula guerras. Não fere. Não traumatiza. Ao contrário, a vontade de Deus dá saúde aos ossos e a alma. Envolve a todos com amor e compreensão. Jamais confunda a vontade de Deus com a natureza pecaminosa do ser humano. Esta sobrevive do pecado com sua dor e horror. A vontade de Deus busca a salvação de todos os homens, I Tm 2:4, e, gera harmonia e alegria nos corações dos que lhe obedecem. Não faça Deus culpado dos desatinos do pecado. Tampouco lance sobre Deus suas ações pecaminosas.
